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No Japão, shorts no escritório: Tokyo Cool Biz em meio à guerra no Irã e ao aquecimento global

Homem de bermuda e gravata ajusta gravata em escritório moderno com colegas trabalhando em computadores.

Até pouco tempo, usar short no escritório no Japão era algo fora de cogitação. Só que a guerra no Irã e o aquecimento global estão virando regras e hábitos de cabeça para baixo.

O Japão está entre os países mais dependentes do planeta das importações de hidrocarbonetos do Oriente Médio. Cerca de 95% do seu petróleo chega da região, em grande parte passando pelo estreito de Ormuz, um corredor marítimo altamente estratégico que foi bloqueado por causa da guerra no Irã. Com isso, os preços da energia disparam e o País do Sol Nascente fica pressionado a cortar consumo.

Ao mesmo tempo, o clima tem castigado o Japão com força. Entre 2000 e 2020, o país aqueceu mais rápido do que a média global, conforme um estudo da Agência Internacional de Energia publicado em 2021. O quadro ficou evidente no verão de 2025, quando mais de 100.000 pessoas foram hospitalizadas por golpes de calor entre maio e setembro - um recorde.

Diante desse cenário, o governo adota medidas pouco usuais, mesmo que isso mexa com códigos de um país conhecido por levar convenções e costumes a sério.

Tóquio faz o grande “salto” no dress code

Foi nesse contexto que Tóquio acaba de lançar a campanha Tokyo Cool Biz, que incentiva as empresas a adotarem uma postura mais flexível tanto no trabalho quanto na forma de se vestir durante o verão.

A iniciativa se organiza em três frentes: a do trabalho, com horários alternativos (mais cedo pela manhã) e estímulo ao teletrabalho; a da vida cotidiana, com atenção reforçada aos riscos de golpes de calor; e a do vestuário, priorizando conforto de acordo com o momento e o local. O programa segue a linha do movimento nacional Cool Biz, lançado em 2005 pela então ministra do Meio Ambiente Yuriko Koike - hoje governadora de Tóquio - que já havia encorajado trabalhadores de escritório a deixarem de lado paletó e gravata. Agora, a proposta vai além.

Os funcionários, portanto, passam a ser orientados a ir ao escritório de camiseta e short, algo inédito num ambiente corporativo japonês tradicionalmente formal. Desde o início da medida, já era comum ver servidores do Departamento de Meio Ambiente do governo metropolitano de Tóquio com roupas leves. Gravata, nem sinal. “Eu estava um pouco nervoso, mas é muito confortável, e tenho a impressão de que isso vai melhorar minha eficiência no trabalho”, disse ao The Japan News um funcionário público de 41 anos, que usou short no escritório pela primeira vez.

Outros países asiáticos também se adaptam

O Japão não está sozinho na Ásia ao apostar em ajustes desse tipo. O Vietnã incentivou o teletrabalho para reduzir deslocamentos, enquanto Filipinas e Sri Lanka estudam a semana de quatro dias como forma de economizar energia - efeitos diretos do conflito no Oriente Médio.

Nossa análise

E se esse movimento ultrapassar o contexto imediato da crise? No Ocidente, a pandemia já flexibilizou bastante os códigos de vestimenta no escritório, e a entrada em massa da geração Z no mercado de trabalho vem acelerando esse processo.

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