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Teste do Asus Zephyrus Duo 16 GX651 (2026): dois OLED e RTX 5090

Pessoa usando notebook ASUS com jogo futurista na tela, teclado e controle em mesa de madeira.

A edição 2026 do Zephyrus Duo (referência GX651) é, em essência, a leitura gamer do Zenbook Duo lançado no começo do ano. A ideia-base permanece: dois ecrãs OLED. Só que agora eles têm 16 polegadas e vêm acompanhados de um conjunto de hardware extremamente agressivo - com destaque para o GPU mais potente da Nvidia. É difícil negar que este 2-em-1 chama atenção. A dúvida é se, com um preço tão fora da comum, tudo isso faz sentido.

Há dois meses, testámos o Asus Zenbook Duo, um portátil bem diferente, com dois ecrãs OLED de 14 polegadas e vocação mais voltada a produtividade, multimédia e uso diário. Por isso, os componentes eram sólidos, mas não “no topo do topo”: 32 GB de memória, processador Intel Core Ultra X9 / Arc B390 e taxa de atualização de 144 Hz.

No Zephyrus Duo, a Asus pega esse mesmo conceito de portátil com dois ecrãs e empurra para o território dos jogos. Para ajudar quem joga a ter vantagem, a configuração passa a trazer dois ecrãs OLED de 16 polegadas a 120 Hz e o GPU mais forte do momento: o Nvidia GeForce RTX 5090.

Vale lembrar que - até aqui - a marca já mantinha no catálogo, há vários anos, um portátil chamado Zephyrus Duo. Já falávamos dele há mais de 5 anos, quando existia o Zephyrus Duo 15 SE, que por sua vez sucedia o primeiro modelo do tipo, o Zephyrus Duo GX550 (lançado um ano antes). Só que, nessas gerações, o segundo ecrã ocupava a metade inferior do portátil junto do teclado (com um touchpad em posição bem infeliz).

No Zephyrus Duo 2026, a Asus vira essa página: agora a proposta é, literalmente, usar com ou sem teclado. O que mais muda do Zenbook Duo para virar o Zephyrus Duo 2026 (GX651)? E, sobretudo, dois ecrãs realmente ajudam quando o assunto é jogar? Vamos por partes.

Dois ecrãs para jogar? Sério?

O charme do Zenbook Duo está no formato e na capacidade de se adaptar ao que se quer fazer: dois ecrãs empilhados em paisagem, lado a lado em retrato, com ou sem teclado, ou então como um portátil “clássico”. Na prática, dá para trabalhar de várias maneiras. O problema é que, sem um GPU dedicado de verdade, o Zenbook Duo não foi feito para rodar jogos pesados sem concessões de qualidade gráfica e fluidez. No Zephyrus Duo 2026, isso muda.

A principal atualização aqui é a adoção de dois ecrãs OLED táteis de 16 polegadas, com resolução de 2880 x 1800 píxeis e taxa máxima de 120 Hz (com G-Sync), em vez dos 144 Hz do Zenbook Duo. A Asus promete brilho máximo de 1100 nits (pico em HDR), cobertura total do espaço DCI-P3 e compatibilidade com HDR Dolby Vision. Nas nossas medições, o ecrã mostrou calibração muito bem acertada, inclusive no perfil padrão. Com HDR ligado, a colorimetria mantém fidelidade e neutralidade exemplares, enquanto o brilho fica em 500 nits. Isso já é suficiente para contraste altíssimo, porque o preto é perfeito. Resultado: cores muito impactantes, especialmente em jogos e ao ver fotos e vídeos.

As opções de imagem são geridas pelo Armoury Crate. O app traz perfis prontos e permite escolher gamas de cor específicas (sRGB, DCI-P3, Display P3, Nativo - cores vivas), além de ajustar manualmente a temperatura de cor.

A Asus também afirma que as duas telas têm tratamento antirreflexo graças ao Corning Gorilla Glass DXC. Na prática, não chega a ser “quase sem reflexo”, mas a refletividade é bem reduzida, o que ajuda bastante para ver conteúdo em boas condições.

A questão é: jogos conseguem tirar proveito de dois ecrãs? A resposta é, na prática, não. Muitos títulos lidam bem com um único ecrã ultrawide enorme - por exemplo, 57 polegadas no formato 32:9, com resolução de 7.680 x 2.160 e 240 Hz. Mas dois ecrãs separados? Não.

“Dois jogos ao mesmo tempo” não rola (e seria meio absurdo). Então a alternativa seria deixar o jogo em cima e, em baixo, apps de apoio: chat, navegador, stream, guias… Isso até funciona. O problema é que jogar sem teclado - e, em alguns casos, até sem rato - é muito difícil, senão inviável. Na vida real, dá para cair num cenário bem específico: jogo no ecrã superior, aplicações no inferior, teclado mais abaixo (fora do chassis) e um rato ao lado. Fica bonito, mas exige uma mesa grande para esse arranjo ser viável.

O que não dá para negar é que, como máquina gamer, o Asus Zephyrus Duo é um monstro. Ele vem com Intel Core Ultra 9 386H (e não o Core Ultra X9 388H do Zenbook Duo - e o iGPU Intel Arc do X9 também não era indispensável aqui), 64 GB de memória e SSD PCIe Gen 5 de 2 TB. Há ainda um segundo slot M.2, caso se queira dobrar a capacidade. E, claro, a estrela da festa: GeForce RTX 5090. Em termos de ficha técnica, é difícil ir além.

Na prática, isso significa que jogos compatíveis com DLSS 4 (e, mais ainda, DLSS 4.5) podem entregar imagem muito bonita e desempenho extremamente consistente - e seria preocupante se não fosse assim.

Em Cyberpunk 2077, por exemplo, é fácil “bater no teto” do contador de FPS. Ao ativar Ray Tracing com geração de imagem x2, ou Path Tracing com geração de imagens x3, o benchmark interno do jogo indica mais de 100 imagens por segundo.

Ponto positivo: o áudio dos quatro altifalantes acompanha o ritmo. Para jogar e ver vídeos, o som é excelente, com volume alto e boa espacialização. Já para música, no volume máximo pode aparecer um timbre um pouco anasalado. Nessa situação, basta abrir o aplicativo Dolby para escolher um dos vários perfis prontos ou ajustar algumas frequências no equalizador.

Mais para um super Zenbook Duo!

O conceito do Zephyrus Duo fica mais claro quando se olha para ele como um 2-em-1. É razoável imaginar o portátil em dois usos principais, dependendo do que se quer fazer.

O primeiro é o óbvio: jogar. Nesse cenário, usa-se um único ecrã, e o teclado fica apoiado sobre o segundo ecrã - como num portátil gamer tradicional. O teclado, aliás, fica bem preso por magnetismo.

Como o teclado tem bateria própria (recarregada por USB-C), ele também traz retroiluminação. E não é apenas branca, como no Zenbook Duo: aqui é RGB, para não decepcionar quem é mais “hardcore” (mas em zona única, não tecla por tecla). A tecla F4 / Aura permite trocar rapidamente o efeito (fixo, pulsante, estroboscópico etc.).

Faz falta o teclado numérico. Em compensação, algumas teclas de controlo ficam em destaque: volume, mute do microfone e atalho para o Armoury Crate, onde se ajustam os parâmetros de funcionamento do portátil. O conjunto é acompanhado por um touchpad amplo.

O segundo uso é explorar os dois ecrãs táteis (com ou sem teclado) para tarefas de produtividade e multimédia, no mesmo espírito do Zenbook Duo. Um exemplo simples: fotos no ecrã de cima, enquanto o de baixo mostra um app de edição.

Esse modo também pode servir para jogar, usando o ecrã inferior para aplicações paralelas (redes sociais, Armoury Crate, navegador, etc.). Dá, por exemplo, para jogar Guild Wars 2 enquanto se deixa, no YouTube, a solução de uma missão ou de um jumping puzzle. É mais prático do que alternar entre o jogo e o vídeo o tempo todo.

Em qualquer um dos casos, a segurança depende apenas da webcam 1080p com sensor infravermelho, usada para identificação via Windows Hello. É um método menos seguro do que leitor de impressões digitais. Como o botão de energia, na lateral direita do Zephyrus Duo, não traz essa função, é preciso ficar com o reconhecimento facial.

Quais diferenças com o Zenbook Duo?

Como já mencionado, o Zephyrus Duo usa dois painéis OLED de 16 polegadas, em vez dos 14 do Zenbook Duo. Naturalmente, isso aumenta dimensões e peso. O portátil gamer mede 35,5 x 24,7 cm e tem 2,5 cm de espessura (contra 31 x 21 x 2,3 cm no modelo mais “de escritório”).

E dá para dizer que é um equipamento grande mesmo. Com 2,82 kg, transportar exige bem mais do que no Zenbook Duo (1,7 kg). É um argumento forte para uso mais fixo em casa, com deslocamentos ocasionais.

Outro ponto: a dobradiça do Zephyrus Duo é menos discreta do que a do Zenbook Duo. Assim, a experiência visual piora se a ideia for usar o dispositivo como uma “tablet dobrável” gigante (cerca de 23 polegadas). A separação maior entre os dois ecrãs também torna bem difícil esticar uma aplicação para ocupar toda a área.

A base de apoio (a “perna” traseira) que sustenta os dois ecrãs em paisagem também muda em relação ao Zenbook Duo e, aqui, garante ótima estabilidade.

Além do teclado retroiluminado, entra em cena o Slash Lighting: uma faixa com 35 LEDs, posicionada na diagonal da tampa, capaz de exibir animações.

A conectividade também é mais completa do que no Zenbook Duo - o que faz sentido pelo tamanho maior. Há 2 portas USB-C com Thunderbolt 4, 2 portas USB-A (uma a mais do que no Zenbook Duo), HDMI 2.1 e leitor SD (inexistente no Zenbook). No sem fio, entram Wi‑Fi 7 e Bluetooth 6. Bem pensado: existe uma USB de cada tipo em cada lado do chassis, o que é bem conveniente.

Outra diferença está no acabamento do apoio de mãos. Em plástico, ele tem textura muito macia, agradável, parecida com tecido. E ainda ajuda a não marcar com impressões digitais (por outro lado, poeira mais grossa tende a grudar com facilidade!).

Uma autonomia em dois ritmos

Curiosamente, a bateria do Zephyrus Duo é menor (90 Wh) do que a do Zenbook Duo (99 Wh). Para uma configuração com GPU cujo TDP pode chegar a 150 W, isso é uma pena. Em compensação, a recarga é mais rápida graças a um carregador proprietário de 250 W. A Asus diz que dá para voltar a 50% em 30 minutos.

O Armoury Crate permite alternar entre três perfis de funcionamento: Silencioso (padrão quando se usa bateria), Desempenho e Turbo. Há ainda três modos de gestão do GPU: Eco (usa o iGPU do Core Ultra 9), Otimizado (iGPU ou GPU conforme o app) e Último (para jogos, claro).

Medimos a autonomia do Zephyrus Duo em vários cenários, sempre com brilho médio de 250 nits (adequado para ambientes internos).

No modo gamer, com apenas um ecrã ativo, a bateria caiu 30% após meia hora de partidas intensas em Fortnite. Depois de uma hora, restavam 46% de carga. Dá para contar com uma autonomia total um pouco abaixo de 2 horas. Não é ruim - mas, para extrair tudo o que o Zephyrus Duo pode oferecer, é evidente que o ideal é jogar ligado à tomada.

Fora dos jogos, o fôlego melhora bastante. Em tarefas de escritório e multimédia, com os dois ecrãs ligados, uma sessão de trabalho de 4 horas reduziu a bateria em 71%. Isso aponta para uma autonomia total ligeiramente inferior a 6 horas, antes de precisar recarregar. Também parece plausível atravessar um dia inteiro ao otimizar os mecanismos de economia de energia, desde que a sessão seja menos intensa.

Nesse período, trabalhámos neste artigo tentando não nos deixar distrair por um fundo musical de Angine de poitrine. Também houve várias pausas para visitar sites, conversar um pouco no WhatsApp, ler e-mails e ver um ou dois vídeos curtos no YouTube (além de dois ou três cafés, sem usar o PC).

Por fim, no streaming de vídeo (com apenas um ecrã ativo), a autonomia ficou em pouco menos de 12 horas. É um resultado muito bom para um portátil gamer - dá para ver alguns filmes ou maratonar uma série com conforto no sofá ou na cama.

A recarga é feita com o adaptador proprietário de 250 W. E, como prometido pela Asus, observámos 53% em apenas 30 minutos. Após uma hora, a bateria já estava em 88%. É bem rápido. Por outro lado, para levar o portátil para qualquer lugar, é preciso carregar junto o “tijolo” da fonte - a menos que haja tempo (e disposição) para aceitar recarga mais lenta via USB-C, com máximo de 100 W.

Então, vale comprar?

E é aqui que a conversa complica. O Asus Zephyrus Duo topo de linha que testámos (Core Ultra 9 386H, 64 GB de memória, SSD de 2 TB) custa 8199 €. Já uma versão com Nvidia GeForce RTX 5070 Ti (com Core Ultra 9 386H, 32 GB de memória e SSD de 1 TB) sai por 5300 €. Pois é.

Considerando que portáteis gamer de 16 polegadas com GeForce RTX 5090 hoje custam entre 4000 e 6000 €, e que aqui se ganha dois ecrãs OLED e um teclado destacável com RGB - que, juntos, trazem uma flexibilidade de uso rara - talvez o preço não seja tão absurdo assim.


Asus Zephyrus Duo 16 GX651

Preço: 8199 €

Nota geral: 8

Categoria Nota
Design e ergonomia 8.5/10
Desempenho 9.5/10
Ecrã 9.5/10
Autonomia 7.5/10
Relação qualidade / preço 5.0/10

Gostámos

  • Desempenho muito alto
  • Painéis OLED quase foscos e com calibração impecável
  • Muitos modos de utilização
  • Textura do apoio de mãos
  • Teclado RGB

Gostámos menos

  • Peso elevado
  • Autonomia limitada para streaming de vídeo
  • Dobradiça menos discreta do que no Zenbook Duo
  • Sem teclado numérico
  • Taxa de atualização de 120 Hz (contra 144 Hz no Zenbook Duo)

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