O Honor 600 faz questão de acenar - e de forma bem evidente - para o iPhone 17 Pro, a ponto de passar a sensação inicial de ser só uma cópia. Mas, por trás dessa inspiração sem disfarces, ele também coloca na mesa argumentos difíceis de ignorar: bateria de 6 400 mAh, recursos de foto com IA por todos os lados e um preço bem mais amigável do que o do seu “quase gêmeo”.
Ao tirar o Honor 600 da caixa, uma palavra veio rápido à cabeça: “ersatz”.
Durante a Primeira Guerra Mundial, com a Alemanha sufocada por escassez e racionamento, a população precisou criar substitutos para praticamente tudo o que faltava. O pão passava a ser feito com farinha de centeio e batata. O café era esticado com chicória, e a margarina assumia o lugar da manteiga.
Dessas cópias nascidas da necessidade ficou um termo: ersatzprodukt. Em alemão, ele significa um produto de reposição. Mais tarde, a palavra migrou para o francês mantendo um peso pejorativo: “ersatz” virou sinônimo de substituto de qualidade inferior, escolhido por falta de opção.
E a comparação aparece porque a semelhança com o iPhone 17 Pro Max já chama atenção - e, com o iPhone 17 Pro, ela fica ainda mais direta. O módulo de câmeras retangular, o botão extra na lateral e até o tom alaranjado que a Apple estreou no último outono deixam o paralelo óbvio.
Mesmo assim, em três semanas de testes, a ideia foi ir além do impacto visual. E se o Honor 600 tivesse mais a entregar - especialmente em IA, fotografia e autonomia, sustentada por uma bateria de 6 400 mAh? Sem esquecer que o preço muda bastante a conta. No fim, ele é só um “ersatz” do iPhone 17 Pro ou dá para encarar como uma alternativa real?
Preço e disponibilidade
O Honor 600 chega às lojas a partir de 23 de abril, na cor laranja (sim), além de branco e preto, com preço inicial de 549,90 euros na versão 8/128 GB.
Para as outras duas configurações, há uma oferta de lançamento entre 23 de abril e 6 de maio (inclusive):
- A versão 8/256 GB, por 649,90 €, sai por 499,90 € com um cupom de desconto de 150 €.
- A versão 8/512 GB, vendida com exclusividade no site da marca por 699,90 €, sai por 499,90 € com um cupom de 200 €. Além disso, vem incluído um seguro complementar de 12 meses para a tela.
Design: o iPhone 17 Pro do Wish?
Pelo menos nesse ponto, a Honor não tenta esconder nada. Na apresentação do Honor 600, a empresa chinesa resumiu essa postura em duas palavras: “Sameness and difference” - ou seja, seguir uma convergência estética, ao mesmo tempo em que afirma ter identidade própria.
O primeiro ponto usado pela Honor para se diferenciar é a pegada. Enquanto o iPhone 17 Pro tem 8,5 mm e 199 gramas com tela de 6,3 polegadas, o Honor 600 vai a 7,8 mm e 185 gramas em um painel de 6,57 polegadas. Ele é mais fino, mais leve e ainda entrega uma área de tela maior. E tudo isso com uma bateria de 6 400 mAh dentro do chassi. É um feito de engenharia que merece elogio: o aparelho é muito agradável tanto para usar com uma mão quanto com duas.
Na traseira, a “herança” é assumida em cerca de 80% (como na comparação em que o Honor 600 aparece à esquerda e o iPhone 17 Pro à direita). Está lá a base retangular - um tipo de “plateau”, para usar o termo popularizado pela Apple - ligeiramente elevada. Dentro dela, ficam dois sensores empilhados na vertical, cada um contornado por um aro metálico alaranjado.
À direita, uma peça em formato de pílula abriga o flash de LED e o sensor de temperatura de cor. Já o iPhone 17 Pro usa três câmeras em outra disposição, o suficiente para afastar a ideia de cópia integral.
Além disso, a Honor não levou a semelhança até o ponto de adotar chassi unibody e vidro traseiro como a Apple - provavelmente para controlar custos. Aqui, o material é fibra composta, ou seja, um plástico premium. A diferença aparece levemente no toque, mas o conjunto é bem convincente e, de quebra, não vira um ímã de marcas de dedo.
Na parte de conectividade, há mais uma decisão de economia: o USB-C fica limitado ao padrão 2.0. Em compensação, Wi‑Fi 6E e Bluetooth 5.4 estão presentes. A gaveta de SIM comporta dois nano‑SIM 5G, com a opção de trocar o segundo por um eSIM.
Por fim, as certificações IP68, IP69 e IP69K colocam o Honor 600 no grupo dos aparelhos realmente resistentes: ele aguenta imersão, jatos d’água de alta pressão e poeira. Na prática, tanto sobreviver a uma queda no vaso sanitário quanto encarar uma chuva forte entra no pacote.
Tela: brilhante e sem grandes concessões
Com 6,57 polegadas, o Honor 600 cai naquele tamanho “meio termo” que costuma agradar mais gente. Não fica pequeno demais para quem gosta de telas grandes, nem exagerado para quem não quer carregar um “tijolo” no bolso. O painel AMOLED, com resolução de 2728 x 1264 pixels, entrega densidade de 458 ppi. A sensação de imersão aumenta com bordas de 0,98 mm - uma espessura rara nessa faixa de preço.
Para evitar encarecer o conjunto, não há tecnologia LTPO. Assim, a taxa de atualização pode alternar automaticamente entre 60 Hz e 120 Hz ou ficar travada em um desses níveis. Não é um corte dramático, porque Nothing Phone (4a) Pro e Pixel 10a - dois concorrentes bem diretos - também não oferecem LTPO.
Em brilho, como costuma acontecer com a marca, a Honor não economiza na promessa: o pico anunciado é de 8 000 nits. No uso real, isso obviamente não se materializa nesse número, mas o que importa se mantém: a tela segue totalmente legível ao ar livre, mesmo com sol forte a pino.
Na reprodução de cores, existem três perfis (Vivo, Normal e Profissional). A recomendação fica com o primeiro: o segundo puxa um pouco para tons mais quentes, e o último tende a ficar frio demais - dois ajustes que acabam valorizando menos o tipo de conteúdo consumido em redes sociais e no YouTube.
E para quem gosta de “rolar” TikTok antes de dormir, há um bônus: a tela usa escurecimento PWM a 3 840 Hz, recurso já visto no Magic 8 Pro. Na prática, isso ajuda a reduzir o cansaço visual em sessões longas.
Desempenho: uma escolha pé no chão
Por dentro, a Honor optou por uma alternativa sensata: o Snapdragon 7 Gen 4, da Qualcomm. É um chip intermediário que também aparece no Nothing Phone 4a Pro - aqui acompanhado de 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento.
Nos benchmarks, o Honor 600 entrega números sólidos e, mais importante, traduz isso no dia a dia com boa fluidez. Mesmo com multitarefa pesada e apps mais exigentes, o sistema se mantém responsivo.
Navegação, redes sociais, alternância entre apps, streaming: nada realmente faz o Honor 600 tropeçar - exceto os jogos mais pesados da Play Store. Nesses casos, é preciso reduzir gráficos para manter uma taxa de quadros aceitável. Dentro do que o aparelho custa, isso era esperado, e jogadores mais exigentes não são o público central do Honor 600.
O que chama ainda mais atenção é a consistência do chip. Com 99,4% no stress test 3DMark Wild Life Extreme, o desempenho não despenca com o tempo. Sem throttling e sem aquecimento exagerado, a Honor escapou de dois problemas que ainda aparecem com frequência em muitos intermediários e até modelos mais caros.
Software: MagicOS 10, IA em todos os cantos
O Honor 600 vem com Android 16 e MagicOS 10. É uma interface limpa e, visualmente, bem próxima do iOS. O mesmo vale para a Magic Capsule, que continua por aqui e lembra a Dynamic Island da Apple - com uma diferença relevante (e bem-vinda): a solução da Honor some por completo quando não há nada para exibir, ou quando você decide não alimentar nada nela.
Nos botões, o parentesco com uma certa empresa californiana segue firme. Abaixo dos botões de volume e bloqueio, aparece um terceiro botão. Já visto no Magic 8 Pro, ele permite, por meio de diferentes toques (curto, duplo ou longo), abrir a câmera ou acessar funções inteligentes do MagicOS. Ao contrário do botão Ação da Apple, ele não oferece personalização livre: fica restrito à câmera ou à IA.
No restante, o MagicOS 10 evolui sem virar tudo do avesso. As Sugestões de IA e o Portal Mágico continuam disponíveis. A principal novidade a destacar são as Memórias de IA - uma espécie de resposta da Honor ao Recall da Microsoft e ao Essential Space da Nothing. Páginas da web, vídeos e documentos são guardados e organizados para você revisitar depois, como um “registro” do que foi consumido.
Sobre suporte, a Honor promete 6 anos de atualizações do Android e de patches de segurança, o que conta muitos pontos. A parte chata é que o primeiro uso ainda vem com alguns apps pré-instalados. Ou seja: uma limpeza inicial será inevitável, embora rápida.
Foto: bons retratos e noite competente
No mês passado, o Nothing Phone 3a Pro chamou atenção ao colocar um teleobjetiva com zoom x3,5 - algo incomum em um celular na casa dos 500 euros. O Honor 600, assim como o Google Pixel 10a, não vai tão longe nesse aspecto.
Ao longo das três semanas com o aparelho, a câmera principal de 200 MP (f/1.9, sensor de 1/1,4 polegada) se mostrou muito convincente, seja em x1, x2 ou x4, tanto em ambiente interno quanto externo. Nas fotos, as cores tendem ao quente, o contraste é agradável e a faixa dinâmica é bem controlada. O visual é “bonito”, mas sem passar demais do ponto - o tipo de processamento que ajuda a agradar no Instagram. Ainda assim, vale notar: o software pesa um pouco a mão em texturas finas e, em contraluz, o comportamento pode ser inconsistente.
A ultra grande-angular de 12 MP (f/2.2) mantém coerência de cores com a câmera principal, o que não é garantido nessa faixa. Em contrapartida, dá para perceber distorções ópticas nas bordas em fotos com perspectiva. Além disso, o ruído sobe rápido quando a iluminação cai - ou quando a cena fica na sombra.
Em retratos, a Honor carrega um histórico forte. Em 2024, o Honor 200 Pro se destacou nesse tipo de foto, em especial por causa da parceria com o estúdio Harcourt. O 600 não tem essa colaboração, mas a “mão” da marca ainda aparece: recorte limpo, desfoque (bokeh) equilibrado e tons de pele naturais.
À noite, a Honor segue uma linha bem definida - mais próxima da Samsung do que do Google. Onde o Pixel tenta reproduzir o que o olho realmente enxerga, a Honor prefere “embelezar”.
As cenas noturnas saem claras, sem necessariamente cair no exagero de transformar uma noite escura em começo de entardecer. Uma decisão que os fãs de um resultado mais natural tendem a apreciar mais do que em muitos modelos da Samsung e da Xiaomi.
Na corrida da IA em vídeo, a Honor sai na frente
Em vez de cortar o restante da ficha técnica para encaixar uma teleobjetiva, a Honor apostou em IA para turbinar a experiência de foto e vídeo. O destaque é a função Image to Video 2.0. Não é novidade absoluta - o Honor 400 já tinha algo do tipo -, mas aqui a empresa elevou o nível.
Na prática, a versão anterior animava uma única foto em um loop de 5 segundos. No Honor 600, dá para combinar até três fotos e gerar um clipe de 3 a 8 segundos, guiado por um prompt em linguagem natural.
Usando, o recurso cumpre o que promete - desde que as imagens tenham coerência visual e narrativa e que o prompt seja específico. Caso contrário, o resultado muda de natureza: no melhor cenário, vira uma lembrança reescrita (ou embelezada); no pior, algo completamente inventado.
Esse tipo de geração de vídeo por IA não é exclusividade da Honor. O Google já tinha colocado a ideia em 2023 no YouTube Shorts, e ferramentas profissionais como Runway e Pika se consolidaram entre criadores. Ainda assim, a Honor está entre as primeiras a colocar essa tecnologia de modo realmente acessível no bolso do usuário comum. Segundo rumores, a Samsung também estaria preparando algo parecido dentro do ecossistema Galaxy AI.
Por mais impressionante que seja tecnicamente, existe um receio legítimo. Em tempos de deepfakes, colocar a fabricação de uma lembrança “do zero” ao alcance de qualquer pessoa levanta questões.
E há outro detalhe importante: a função será gratuita por 76 dias, com limite de 10 tentativas por dia. Depois disso, provavelmente será necessário um plano pago. Criadores de conteúdo e usuários mais jovens podem ver valor nisso, mas a pergunta fica no ar: estamos realmente prontos para pagar para reinventar as próprias memórias?
Autonomia: fôlego de gente grande
Uma bateria de 6 400 mAh em um corpo de 7,8 mm, com um aparelho pesando 185 gramas. É o tipo de combinação que seria mais esperada em um modelo premium de 1 000 euros.
Para comparar, o iPhone 17 Pro traz 4 252 mAh em 8,8 mm. Já o Nothing Phone (4a) Pro coloca 5 080 mAh em 7,95 mm. Além do mérito de engenharia, o “pulo do gato” aqui atende por dois termos: silício-carbono. Essa tecnologia aumenta a densidade energética sem exigir mais espaço. Assim como Xiaomi e Oppo, a Honor já adotou - enquanto Apple, Samsung, Google e Nothing ainda não deram esse passo.
Com essa base, o Honor 600 aguenta um dia inteiro pesado e ainda chega à manhã do dia seguinte. Em um uso mais moderado, dá até para mirar o fim da tarde desse segundo dia. Na recarga, o SuperCharge de 80W resolve em 57 minutos, segundo as nossas medições.
E, como é comum, os primeiros percentuais sobem bem rápido: 30% em apenas 16 minutos. A carga reversa com fio de 27W é útil, mas não há carregamento sem fio. Para a maioria, isso não faz tanta falta - mas vale lembrar que o Pixel 10a oferece.
Conclusão
No começo, havia muitos elementos empurrando o Honor 600 para o rótulo de “ersatz” - isto é, uma cópia pálida do iPhone 17 Pro. A cor laranja, o bloco de câmeras, o botão extra na lateral e a Magic Capsule reforçam a associação. Some a isso uma interface que se aproxima mais do visual do iOS do que do Android. Mesmo que parte desses traços já exista há um tempo, quando tudo se acumula, fica difícil não notar.
Só que, convivendo com o aparelho, dá para perceber que ele também tem sua própria presença. O desempenho é estável, com poucas ressalvas; a bateria de silício-carbono de 6 400 mAh garante uma autonomia confortável; e o conjunto de câmeras é equilibrado. Sem prometer superar os melhores intermediários de Google e Samsung, ele chega perto - principalmente em retratos e à noite. As limitações, previsíveis pelo preço, aparecem: nada de carga sem fio, nada de LTPO, USB‑C 2.0 e alguns aplicativos para remover.
No fim, o preço agressivo impede até por definição uma disputa direta com um iPhone 17 Pro. Os rivais reais são Nothing Phone 4a Pro, Samsung Galaxy A57 e Pixel 10a. E, contra eles, “ersatz” já não encaixa tão bem. E, mesmo que alguém insista em comparar com o iPhone 17 Pro até o fim, a chicória já não entra no café por obrigação: hoje ela pode ser apreciada sozinha, pelo que é.
Honor 600
549 euros
Nota geral: 8.2
Notas por categoria
| Categoria | Nota |
|---|---|
| Design e tela | 8.0/10 |
| Desempenho e IA | 8.0/10 |
| Foto e vídeo | 8.5/10 |
| Autonomia e carga | 8.5/10 |
| Custo-benefício tecnológico | 8.0/10 |
Pontos positivos
- Design bem cuidado e tela AMOLED com alto brilho
- Desempenho sólido, estável e recursos de IA interessantes
- Ótimo sensor principal de 200 Mpx, retratos bem feitos
- Bateria de 6 400 mAh com excelente fôlego
- Relação custo-benefício adequada
Pontos negativos
- Inspiração no iPhone 17 Pro é forte demais
- USB‑C 2.0, sem LTPO e sem carregamento sem fio
- Jogos pesados exigem cortes nas configurações gráficas
- Ultra grande-angular fica abaixo do restante
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