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Teste do Dell XPS 16 (2026): ultrabook premium com OLED

Pessoa mexendo em notebook com editor de fotos aberto em mesa de madeira com xícara de café.

O novo notebook premium da Dell volta a ser, de fato, um XPS neste ano. Na versão mais sofisticada de 16 polegadas, a configuração reúne componentes potentes e uma tela OLED sensível ao toque, que valoriza as imagens. Tudo isso em um chassi leve e de visual bem sóbrio.

Só não muda de ideia quem não quer - e, ao que tudo indica, a Dell não entra nessa. Em um intervalo de apenas um ano, a marca promoveu duas mudanças nos seus ultraportáteis. Primeiro, a linha recupera em 2026 o nome original, XPS, que havia sido abandonado em 2025. No ano passado, o topo de linha tinha passado a se chamar Dell Premium, embora o desenho fosse, em todos os aspectos, o mesmo dos XPS de 2024.

A segunda mudança aparece no próprio chassi: como veremos, alguns elementos característicos dos XPS vendidos nos últimos anos foram revistos. Com isso, a Dell volta a um visual mais tradicional, mais “XPS das origens”.

O novo XPS 16 chega em duas variantes: uma com tela LCD IPS Full HD 120 Hz sem toque (a partir de 2349 €) e outra com tela OLED 3,2K 120 Hz sensível ao toque (a partir de 2749 €). A configuração mais avançada, com processador Intel Core Ultra X7 358H, pode vir com 32 GB ou 64 GB de memória e SSD de 512 GB, 1 TB, 2 TB ou 4 TB. Foi essa plataforma que testámos, na versão vendida por 2849 €, com 32 GB de memória e SSD de 1 TB. A seguir, avaliamos o comportamento do portátil no uso real e se a relação desempenho/preço faz sentido.

Design e ergonomia

Tal como nos modelos anteriores, o XPS 16 2026 mantém um estilo minimalista, que passa uma sensação de refinamento - até mesmo de luxo - graças ao corpo em alumínio cinza-escuro (esta configuração existe apenas nessa cor). Na tampa, aparece somente a inscrição “XPS”. Em contrapartida, alguns podem não gostar do facto de a parte traseira da tela reter marcas de dedos com facilidade. Com o tempo, o aspeto perde a elegância e um pano torna-se obrigatório.

O notebook tem 35,2 × 23,7 cm, com 1,43 cm de espessura e 1,65 kg. Ou seja, é bastante compacto e leve, embora não seja algo fora da curva. O Asus Zenbook S16 e o Samsung Galaxy Book 6 Pro, por exemplo, são um pouco mais leves (1,5 kg e 1,59 kg, respetivamente) e também mais finos (1,1 cm e 1 cm de espessura, respetivamente).

Ao abrir o Dell XPS 16, encontramos um teclado com teclas mais “juntas” e sem teclado numérico. E isso é uma pena, porque o teclado não ocupa toda a largura do portátil, apesar de as áreas laterais, à esquerda e à direita das teclas, não serem usadas por alto-falantes (como acontece no Galaxy Book 6 Pro).

Há também duas alterações em relação às configurações anteriores. Primeiro, as teclas de função deixaram de ser tácteis e retroiluminadas: a Dell voltou às teclas físicas clássicas, mais simples e eficientes. Elas continuam iluminadas, tal como o restante do teclado.

Segundo, o (grande) touchpad já não é completamente “invisível”. Ele segue integrado numa placa de vidro (Corning Gorilla Glass 3), mas agora existe uma discretíssima borda que marca o seu contorno. Mesmo assim, ainda é complicado localizar os limites do touchpad no escuro. No Galaxy Book 6 Pro, a tonalidade mais clara do conjunto e o touchpad de desenho mais tradicional, bem delimitado, tornam o uso mais fácil.

O XPS 16 não traz leitor de impressões digitais (ao contrário do Galaxy Book 6 Pro). Portanto, é preciso recorrer à webcam e ao sensor infravermelho para reconhecer o rosto do utilizador e desbloquear o Windows 11 (um método menos seguro do que a leitura de digitais). Em compensação, a Dell implementou um sistema antirroubo diferente: é possível prender o computador a um monitor ou a outro objeto volumoso usando um cabo do tipo Kensington - mas a fixação é feita por meio de uma das portas USB-C.

A conectividade física do Dell XPS 16 limita-se a portas USB-C compatíveis com Thunderbolt 4 e à entrada P2 (fone e microfone). Só isso. Na prática, isso empurra o utilizador para a compra de um replicador/hub de portas caso precise ligar outros cabos (pen drive, rato, impressora, monitor etc.). Aqui, de novo, o Samsung Galaxy Book 6 Pro é mais generoso, com saída HDMI, duas USB-C (também TB4) e uma USB-A.

Pelo lado positivo, as ligações sem fio podem operar no melhor cenário possível, graças ao suporte a Wi‑Fi 7 e Bluetooth 6.

No áudio, o sistema conta com quatro alto-falantes, somando 10 W de potência total - mais do que suficiente para preencher uma sala de tamanho médio. Em filmes e séries, a cena sonora é ampla e o resultado convence. E, mesmo para música, há um bom equilíbrio entre as faixas de frequência (ainda que os graves não sejam impressionantes).

Tela

O Dell XPS 16 2026 é oferecido com duas telas: LCD (sem toque e Full HD), adequada se o uso for sobretudo trabalho, e OLED (a unidade que testámos). Esta última entrega qualidade superior, o que ajuda tanto em edição de fotos e vídeos quanto para quem consome filmes e séries com frequência.

A tela chama atenção: as bordas são extremamente finas nos quatro lados (no Galaxy Book 6 Pro, a borda inferior é um pouco mais espessa) e há proteção Gorilla Glass Victus, com resistência a riscos.

O painel do Dell XPS 16 trabalha com uma resolução muito alta (alta demais?). As imagens são exibidas em 3200 × 2000 pixels. É, sim, mais detalhado do que o modo 2 880 × 1 800 pixels presente em muitos ultrabooks de 14 e 16 polegadas (como o Samsung Galaxy Book 6 Pro). Mas isso é realmente necessário? Na prática, é preciso ter visão muito apurada para dispensar o escalonamento de textos do Windows; caso contrário, acaba-se a usar o zoom de 200% do sistema.

A taxa máxima de atualização é de 120 Hz, suficiente para uma máquina vocacionada para produtividade e multimédia. Para reduzir o consumo do ecrã, é possível ativar um modo de frequência dinâmica, em que a taxa varia de 20 Hz a 120 Hz (contra 1 Hz a 120 Hz na versão do XPS 16 com tela LCD).

A Dell indica brilho máximo de 400 nits - e foi exatamente isso que medimos com HDR ativado. Não é um valor extraordinário, sobretudo sabendo que telas OLED costumam ficar bem abaixo de painéis LCD mini‑LED em brilho. Ainda assim, graças ao contraste quase infinito, o resultado permanece convincente mesmo ao ar livre, sob sol.

Além disso, a colorimetria é exemplar com HDR ligado (temperatura de cor muito neutra e excelente fidelidade). E, embora o painel não seja totalmente antirreflexo, os reflexos são bastante amortecidos, o que evita que as áreas escuras sejam muito prejudicadas - especialmente em vídeos.

Por fim, a tela é certificada para HDR Dolby Vision e, como já mencionado, o painel OLED é tátil, o que pode ajudar em certas aplicações, principalmente para quem tem alguma dificuldade com o uso do touchpad.

Desempenho

Não há grande surpresa no componente responsável pelo desempenho do Dell XPS 16: trata-se de um processador típico de ultraportáteis premium, da mais recente geração Intel Core Ultra 7. Aqui, em específico, estamos a falar do Core Ultra X7 358H, acompanhado por 32 GB ou 64 GB de memória.

Existe uma opção para trocar esse chip pelo Core Ultra 7 355, reduzindo o preço final em 400 € - mas, nesse caso, a Dell limita a memória a apenas 16 GB.

Como já vimos no teste do MSI Prestige 14 AI+, um dos pontos fortes do Core Ultra X7 358H é a eficiência do GPU Intel Arc B390. Isso torna-se uma vantagem clara em tarefas gráficas pesadas e também para jogar (fora do horário de trabalho, claro).

Além disso, os 16 núcleos do Core Ultra X7 358H (sendo 4 deles com frequência máxima de 4,8 GHz) entregam um poder de processamento impressionante, útil para fluxos de foto e vídeo. Sem esquecer o NPU, com 50 TOPS (122 TOPS no total ao considerar CPU e GPU), que acelera operações específicas associadas a IA.

Autonomia

Na versão de 16 polegadas, o Dell XPS deste ano vem com bateria de 70 Wh. Não é uma capacidade enorme - e o Dell XPS 14 usa a mesma bateria. A Dell poderia ter sido mais ambiciosa aqui. Para comparação, o MSI Prestige 14 AI+, testado recentemente, traz 81 Wh apesar de ser mais compacto, por usar tela de 14 polegadas. Além disso, as baterias do Asus Zenbook S16 e do Samsung Galaxy Book 6 Pro são maiores (83 Wh e 78 Wh, respetivamente).

Mesmo assim, a autonomia desta configuração é boa (e a eficiência energética do Core Ultra X7 358H pesa bastante). No teste de produtividade/multimédia do PC Mark, o portátil passou de forma ligeiramente superior a 14 horas com taxa fixa e alta (120 Hz). Ao ativar a frequência dinâmica, ganham-se cerca de duas horas (16 horas e 13 minutos), o mesmo patamar do ultraportátil da Samsung.

Para streaming de vídeo, a autonomia fica em torno de 19 horas, o que é um bom resultado. Depois de 8 horas de reprodução de vídeo, a carga caiu de 100% para 58%.

Outro ponto positivo: a recarga é rápida com o adaptador USB-C incluído, de 100 W - 43% em 30 minutos e 79% em uma hora. Vale lembrar que o Galaxy Book 6 Pro suporta recarga máxima de 65 W e ainda vem sem carregador na caixa.

Claro, também dá para usar o carregador do smartphone se a ideia for não levar o adaptador do XPS 13 em viagens (mesmo sendo um bloco bem compacto). A limitação é que não será possível carregar os dois dispositivos ao mesmo tempo.

Então, vale comprar?

O Dell XPS 16 2026 é, sem dúvida, uma máquina bonita no conjunto e sem falhas graves. Porém, há um concorrente sul-coreano - a Samsung - que também oferece um ultraportátil muito atrativo, o Galaxy Book 6 Pro. Em alguns aspetos, ele chega a superar o XPS 16. Para complicar, com configuração equivalente (processador, memória e SSD), o Galaxy Book 6 Pro custa 2400 €, ou seja, 450 € a menos do que a configuração da Dell.

O ultrabook premium da Dell sofre de um problema parecido com o de smartphones da Samsung: as mudanças de uma geração para outra são subtis (até demais). A marca pode estar a acomodar-se, correndo o risco de ser ultrapassada por rivais com propostas muito competitivas. E, no segmento de ultraportáteis, eles não faltam: Samsung, Asus, Acer, Lenovo, entre outros.

Dell XPS 16 (2026)

3449 €

Nota geral: 8.3

Critério Nota
Design e ergonomia 8.0/10
Tela 9.0/10
Desempenho 9.0/10
Autonomia e carga 8.5/10
Relação tecnologia-preço 7.0/10

Gostamos

  • Tela tátil com revestimento Gorilla Glass 3
  • Excelente colorimetria da tela
  • Bom desempenho
  • Autonomia satisfatória
  • Carga rápida e carregador incluído

Gostamos menos

  • Preço elevado
  • Sem leitor de impressões digitais
  • Conectividade limitada
  • Sem teclado numérico

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