Uma garrafa de pinot noir Romanée Conti foi arrematada por mais de 700 mil euros em um leilão realizado em Nova York.
Uma boa garrafa de vinho pode custar caro - e, em alguns casos, custa caro demais. Em um leilão promovido em Nova York pela Acker Wines, um pinot noir do prestigiado Domaine de la Romanée Conti atingiu 812 500 dólares, o que equivale a pouco mais de 700 mil euros.
Leilão da Acker Wines em Nova York
O valor impressiona, mas a peça vendida não é exatamente “novata”. A garrafa em questão é da safra de 1945. Ainda assim, ela está longe de ser o vinho mais antigo já negociado em leilões: há registros de garrafas de Bordeaux datadas do século 18 colocadas à venda.
Romanée Conti: uma garrafa de vinho histórica
O Domaine de la Romanée Conti já é presença recorrente em vendas por cifras estratosféricas. Desta vez, o pinot noir de 1945 ultrapassou a marca de 700 mil euros em Nova York e estabeleceu um recorde.
Curiosamente - ou nem tanto - o recorde anterior havia sido alcançado por… a mesma safra. Isso reforça a percepção entre colecionadores: 1945 é, sem dúvida, um ano excepcional na história do vinho, e também na trajetória da Romanée Conti.
Safra 1945, filoxera e por que essa raridade vale tanto
O fascínio pela safra de 1945 da Romanée Conti não é por acaso. Ela é apontada como a última safra antes dos danos causados pela filoxera, um inseto parasita que obrigou o produtor a arrancar as videiras e o impediu de produzir vinho por 6 anos. Por isso, garrafas originadas de um lote anterior a esse período são raras e altamente disputadas.
Em 1945, foram produzidas apenas 600 garrafas desse vinho. A que acabou de ser vendida por um preço nas alturas veio da adega de Robert Drouhin, herdeiro da Maison Joseph Drouhin. Assim, a avaliação se apoia em um tripé conhecido no universo do colecionismo: raridade extrema, qualidade da safra e importância histórica. Neste caso, todos os requisitos são atendidos.
Romanée Conti nas casas de leilão (Sotheby’s) e o peso do mercado
Atualmente, as garrafas de Romanée Conti continuam entre as favoritas em leilões. Segundo a Forbes, elas responderam por 17% dos volumes de vinhos vendidos em 2025 pela Sotheby’s, especialista em leilões - o dobro do número de garrafas de Pétrus, que também são muito procuradas.
Nem sempre o vinho mais antigo vale mais
É comum imaginar que, quanto mais antiga a garrafa, maior será o seu preço. Embora esta Romanée Conti vendida por mais de 700 mil euros já some 81 velas, ela não é o frasco mais antigo conhecido hoje. Para manter o valor, é essencial que a conservação seja impecável, apesar da raridade e da qualidade da safra.
Em leilões, é possível ver circularem garrafas de Bordeaux dos séculos 18 e 19. Mesmo assim, elas não têm hoje o mesmo valor de garrafas “mais recentes”. Nesses casos, a idade elevada pesa contra: com o passar do tempo, muitos desses vinhos acabam se tornando impossíveis de beber.
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