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Alerta urgente de toxinas em mexilhões na Califórnia: CDPH, Marin e San Mateo

Dois homens pegam mariscos frescos em banca de frutos do mar com gelo, dentro de área sinalizada.

Quando a concha se abre, muita gente conclui que o mexilhão já está pronto. Basta recolher os que ficam presos às rochas ao longo do litoral do condado de Marin, cozinhar no vapor por alguns minutos - eles se abrem e, em geral, isso é visto como sinal de segurança.

Nesta primavera, essa lógica não se aplica. Toxinas letais que estão se acumulando em mexilhões e outros mariscos na costa do Norte da Califórnia não se degradam na panela - nem com qualquer quantidade de calor que um cozinheiro doméstico consiga aplicar.

Alerta de toxinas em mariscos é emitido

Em 30 de março de 2026, o California Department of Public Health (CDPH) divulgou um aviso. A orientação foi para que consumidores não comam mexilhões, amêijoas, vieiras ou ostras coletados de forma recreativa (sport-harvested) nos condados de Marin e San Mateo.

Os testes encontraram o pico em 24 de março, em Drakes Bay, em Point Reyes. Uma amostra de mexilhão coletada no local registrou 502 micrograms de toxina de intoxicação paralítica por mariscos (paralytic shellfish poisoning, PSP) por 100 grams de carne de marisco. O nível de alerta é 80 micrograms.

O valor medido ficou em mais de seis vezes o limite estadual. Amostragens realizadas ao longo do início de 2026 também detectaram toxina mensurável em mariscos de oito condados costeiros, desde a fronteira com o Oregon até Monterey.

O cozimento não elimina

A toxina envolvida nesses mexilhões é a saxitoxina. Ela pertence a uma família química tão estável que ferver, fritar, cozinhar no vapor e até enlatar não a afetam. O cozimento costuma reduzir riscos na cozinha porque desnatura proteínas ou elimina células - e a saxitoxina não é nenhuma dessas coisas.

Trata-se de uma molécula pequena e rígida, que se mantém íntegra em temperaturas muito acima do que é possível atingir em casa. A concha abre, o mexilhão parece pronto, e nada disso significa que ele esteja seguro para consumo.

A toxina não é “produzida” pelo mexilhão. Ela vem do que o mexilhão ingere: uma alga marinha unicelular chamada Alexandrium, capaz de produzir saxitoxina e dezenas de compostos relacionados.

Quando as condições favorecem, o Alexandrium se multiplica e forma florações densas que derivam pelas águas costeiras. Como os mexilhões se alimentam filtrando água do mar, durante uma floração esse filtro passa a reter grande quantidade de células produtoras de toxina.

A saxitoxina então se concentra nos tecidos - sem que o animal demonstre qualquer alteração. Ele aparenta normalidade, tem cheiro normal e gosto normal: como qualquer outro mexilhão preso à rocha.

Como ela causa danos

Os sintomas costumam surgir rápido. Em poucos minutos até algumas horas após ingerir marisco tóxico, as pessoas geralmente sentem formigamento ao redor da boca e nas pontas dos dedos, segundo o CDPH. A partir daí, o quadro pode evoluir: o equilíbrio piora, a coordenação falha e a fala fica arrastada.

“Em intoxicações graves, podem ocorrer paralisia muscular e morte por asfixia”, escreveu a agência. A saxitoxina age bloqueando canais de sódio nas células nervosas - os mecanismos moleculares que permitem que os nervos disparem sinais.

Quando canais suficientes são bloqueados, os sinais nervosos que chegam aos músculos da respiração podem parar por completo. Não existe antídoto.

O tratamento é de suporte - hidratação, oxigénio, ventilação - enquanto o organismo elimina a toxina. Uma revisão recente descreve esses detalhes moleculares.

Um histórico longo

A PSP tem um histórico extenso na Califórnia. Dados estaduais indicam 587 casos de doença e 39 mortes desde 1903, com mais de 99 percent dos episódios ocorrendo entre maio e outubro.

O último grande surto ocorreu em julho de 1980, com 98 pessoas doentes e duas mortes. Já em 2018, um caso no norte do condado de Marin levou uma pessoa ao hospital.

O que muda nesta temporada é a abrangência. Amostras já apresentaram toxina mensurável desde fevereiro, semanas antes da janela tradicional de maior risco. Pesquisas recentes associam a expansão de florações de algas no Pacífico Norte ao aquecimento das águas superficiais.

Quarentena entra em vigor

A quarentena anual de mexilhões da Califórnia entrou em vigor em 1º de maio de 2026 e vai até 31 de outubro. A ordem abrange toda a costa, todas as baías, enseadas e portos, e vale para todas as espécies de mexilhões coletados de forma recreativa.

Ainda é permitido coletar mexilhões para uso como isca, desde que estejam claramente identificados como impróprios para consumo. As colheitas comerciais não estão incluídas no aviso. Operações certificadas de mariscos testam seus produtos conforme os limites do estado e retiram qualquer lote que ultrapasse o limiar.

Como acompanhar os avisos

Para quem está a recolher mariscos na costa da Califórnia neste momento, a orientação prática é direta: não consumir mexilhões selvagens.

No caso de amêijoas e vieiras, deve-se descartar as partes digestivas escuras, onde a toxina tende a se concentrar, e preparar apenas a carne branca.

Ostras provenientes dos condados afetados também devem ser evitadas. O estado mantém uma linha direta de segurança de mariscos no 1-800-553-4133 e um mapa de avisos atualizado a cada nova amostra. Ligar antes de uma ida ao litoral é a única forma confiável de saber o que está seguro.

O que já está claro

A leitura de 502-microgram em Drakes Bay está entre as maiores concentrações registradas pelo programa de monitoramento do estado nesta década.

Ela indica que os níveis de toxina de PSP podem disparar rapidamente e surgir mais cedo do que a janela de maio a outubro à qual a maioria dos alertas costuma se referir.

A mensagem ao público é simples: cozinhar não torna seguro um mexilhão contaminado, e a única proteção real é consultar os avisos do estado antes de recolher mariscos.

Para pesquisadores, as medições elevadas no começo do ano reforçam a hipótese de que essas florações estão a tornar-se mais agressivas: mais cedo no ano, em mais condados e em concentrações mais altas do que antes.

O aviso é publicado pelo California Department of Public Health.

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